A inflação no Nordeste brasileiro em 2026, tem impactado com força os itens essenciais, como alimentos, combustíveis e moradia, superando a média nacional e corroendo o poder de compra das famílias, que já possuem a menor renda domiciliar per capita do país. Capitais como Recife e Salvador lideram as maiores altas no custo da cesta básica, com aumentos expressivos em itens como feijão-carioca e farinha de mandioca

Impactos da Inflação no Nordeste:
- Alta na Cesta Básica: Seis das dez capitais com maiores aumentos na cesta básica estão na região, com Recife registrando uma alta próxima de 10% no primeiro trimestre de 2026.
- Preços Elevados: O custo da cesta básica em Recife chegou a R$ 654,62.
- Alimentos e Combustíveis: Feijão-carioca teve aumento de quase 50% em Belém e 27% em Salvador, além de alta na farinha de mandioca em Fortaleza (+13%) e carnes em Recife (+5,39%).
- Aumento de Custos: A inflação acumulada no primeiro trimestre supera previsões anuais nacionais, agravando o endividamento das famílias.
A situação é crítica, pois a inflação tem sido mais alta justamente nas regiões onde a renda média é mais baixa, intensificando a desigualdade
Aumento da cesta básica este ano
Das dez capitais com maior alta de preços, seis são no Nordeste
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Fonte: Dieese
Há um ano morando em João Pessoa, na Paraíba, a professora Priscila da Silva, de 33 anos, começa a rever contas que há pouco tempo fechavam com mais facilidade. Ela trocou o Rio por uma cidade mais barata, mas nos últimos meses sentiu seu custo de vida subir, num movimento que os índices de preços vêm confirmando. Com as contas básicas comprimindo o orçamento e o valor dos imóveis disparando, o plano de financiar a tão sonhada casa própria está ficando mais difícil de alcançar.
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— O mercado é o que tem ficado mais caro, especialmente carnes e laticínios. Se antes gastava R$ 400, agora gasto R$ 500, R$ 550. Para driblar essa alta, busco promoção, compro frutas da época e marcas intermediárias. Lazer está mais caro. Uma água de coco custava R$ 3 quando cheguei, agora custa R$ 6. Meu aluguel também subiu — ela conta. — Estou trabalhando mais para economizar para o apartamento. Como o valor da entrada é cada vez mais alto, tenho precisado pegar mais aulas.
Priscila, que dá aulas de português e espanhol como autônoma, tem sentido peso maior do cotidiano no bolso como muitos brasileiros, mas os indicadores apontam que esse mal-estar é mais agudo no Nordeste. Preços de itens essenciais como alimentação, aluguel, gasolina e gás de cozinha subiram mais nas principais cidades da região que no restante do país.
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Como o Nordeste tem a menor renda domiciliar per capita do país, o impacto é ainda maior e se soma ao alto endividamento das famílias que o presidente Lula promete atacar com o novo programa de renegociação de dívidas que lança amanhã. O petista, que disputa a reeleição em outubro, tem perdido aprovação no Nordeste, um importante reduto eleitoral do PT, segundo as pesquisas.
Cesta sobe quase 10%
Das dez capitais do país com as maiores altas na cesta básica, seis são nordestinas. Embora o conjunto de alimentos básicos seja mais caro em São Paulo (média de R$ 883,94), nas capitais do Nordeste ela registra altas mais intensas este ano. No Recife, subiu para R$ 654,62, alta de 9,82% entre janeiro e março, quase o dobro da previsão de inflação para todo o ano (4,86%) aferida no boletim Focus, do Banco Central. Em São Paulo, o reajuste médio da cesta básica foi de 4,49%, segundo o Dieese.
O feijão-carioca foi um dos “vilões” dessa disparada da cesta básica no primeiro trimestre. Em Salvador, acumula alta de 27% no ano; em Teresina, 24,7%; no Recife, 24%; e, em Belém, quase 50%. É uma combinação de fatores. O preço do produto em baixa no ano passado desestimulou produtores e reduziu a área plantada para a safra seguinte, diminuindo a oferta. Desequilíbrios climáticos afetaram a colheita. Sem alternativa importada, diferentemente do feijão-preto, o preço do grão preferido dos nordestinos disparou.
Também puxaram o custo da cesta básica para cima carnes, farinha de mandioca e laticínios (com o leite na entressafra). No Recife, a carne já subiu 5,39% neste ano. A farinha de mandioca aumentou 4,38% na capital pernambucana e 13% em Fortaleza.
Fonte: DIEESE
Portal Notícias do Poder
Jornalista Johnny Almeida
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