Ricardo de Lima Filho, um tradutor de videogames de 34 anos, votou em candidatos presidenciais de esquerda em todas as eleições de que se lembra, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, no segundo turno de 2022. Saiba no Link.: https://www.reuters.com/world/americas
Este ano, porém, ele irá às urnas em outubro na esperança de eleger um presidente de direita.
“Passei a maior parte da minha vida adulta sob governos do Partido da estrema esquerda”, disse ele. Mas com a economia estagnada, a segurança pública em declínio e escândalos de corrupção nas notícias, ele afirmou: “Não senti a melhora que esperava”.
As pesquisas mostram que o ex-líder sindical está enfrentando dificuldades. uma pesquisa realizada em junho pela Quaest, empresa brasileira de pesquisas de opinião, mostrou que os jovens adultos foram a única faixa etária em que a desaprovação ao governo Lula superou a aprovação. Saiba no Link.: https://www.reuters.com/world/americas
LIDERANÇA NA REGIÃO
Os jovens brasileiros estão entre os mais direitistas de sua faixa etária na América Latina, com 38% se identificando como tal em uma pesquisa de 2024 realizada por uma fundação ligada ao Partido Social-Democrata da Alemanha. E uma pesquisa de dezembro da AtlasIntel mostrou que as gerações mais velhas eram mais propensas a se identificar como de extrema esquerda ou centro-extrema esquerda. Saiba no Link.: https://www.reuters.com/world/americas
A tendência conservadora é mais forte entre os homens, que apresentaram uma probabilidade dois pontos percentuais maior de se identificarem com a direita nessa pesquisa e têm demonstrado uma inclinação para candidatos conservadores nas pesquisas presidenciais.
A ascensão do jovem conservador do sexo masculino faz parte de uma tendência global, com paralelos na Europa , nos Estados Unidos e na Coreia do Sul , por exemplo.
Mas no Brasil, onde Lula e seu ex-chefe de gabinete venceram cinco das últimas seis eleições presidenciais, a mudança também reflete uma geração que atingiu a maioridade associando a extrema esquerda a uma série de decepções econômicas nos últimos doze anos.
O candidato presidencial de direita Renan Santos, de 42 anos, capitalizou-se sobre a frustração, conquistando apoio inicial de jovens eleitores descontentes, embora resista a chamá-los de “conservadores”.
“Eles são antiesquerda. É diferente”, disse ele em entrevista no estúdio em São Paulo onde grava suas postagens diárias nas redes sociais. “A extrema esquerda é o establishment.”
‘TENHO VERGONHA DE DIZER’
Em uma reunião realizada em maio em outra parte da cidade, jovens líderes do Partido dos Trabalhadores e outros líderes progressistas se encontraram para refletir sobre como haviam perdido terreno entre tantos jovens eleitores.
Os participantes debateram explicações, desde o possível viés das plataformas tecnológicas até a linguagem combativa das redes sociais. Eles discutiram ideias de políticas públicas, como a redução da jornada de trabalho ou a adaptação de programas habitacionais às necessidades dos jovens, de forma a se conectarem com o espírito da época. Saiba no Link.: https://www.reuters.com/world/americas
“As pessoas têm vergonha de dizer que são de esquerda?”, perguntou um jovem ao grupo.
Analisando os dados da pesquisa Quaest, o diretor da empresa, Felipe Nunes, disse à Reuters que as pesquisas com jovens brasileiros não refletem uma ideologia mais conservadora em si. Por exemplo, eles apoiam amplamente a expansão de serviços públicos, como o acesso ampliado ao ensino superior.
No entanto, as pesquisas mostram uma frustração generalizada com a estagnação econômica ligada aos recentes governos de esquerda, que tiveram dificuldades para acompanhar as crescentes expectativas.
Embora o número de brasileiros com diploma universitário tenha quase dobrado na última década, segundo dados do governo, os rendimentos dos graduados não cresceram como esperado.
A renda ajustada pela inflação para graduados universitários ainda é menor do que em 2014. Eles ainda ganham mais do que aqueles com apenas o ensino médio completo, mas a diferença diminuiu.
“Os jovens foram para a universidade… e quando voltaram ao mercado de trabalho, não viram resultados econômicos reais”, disse Nunes.
A busca por respostas levou muitos jovens eleitores a se inclinarem para as plataformas mais voltadas para o mercado, representadas por candidatos de direita e de centro no espectro político, acrescentou ele.
Os principais candidatos à presidência do Brasil refletem a mesma dinâmica. Flávio Bolsonaro, que reúne a maioria dos votos da direita, tem 45 anos. Lula, com 80, é o presidente mais velho da história do Brasil.
No início deste ano, um representante do Partido dos Trabalhadores afirmou que o partido ainda estava buscando o apoio dos jovens eleitores, engajando-os em questões como a mudança climática, um tema que, segundo ele, será mais sentido pelos jovens, ao mesmo tempo em que lembrava os eleitores do legado prejudicial de Jair Bolsonaro para o meio ambiente. Saiba no Link.: https://www.reuters.com/world/americas
Lula também demonstrou empatia com a frustração dos jovens, afirmando em abril que sabia da percepção de corrupção, mas incentivou os jovens eleitores a participarem da política. “Mesmo quando você achar que nenhum político é bom o suficiente, não desista da política, participe da política.”
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro vem publicando vídeos incentivando os jovens a votarem, fazendo um apelo em um dos vídeos àqueles que “fazem tudo certo, mas não chegam a lugar nenhum”.
Reportagem de Manuela Andreoni e Andre Romani; reportagem adicional de Lisandra Paraguassu em Brasília; edição de Brad Haynes e Aurora Ellis
Fonte: Reuters
Foto: REUTERS/Amanda Perobelli
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